Por que somos frequentemente infelizes na vida adulta? De onde vêm os transtornos mentais e as depressões prolongadas?
As razões variam. Mas, muitas vezes, a insatisfação surge quando vivemos de acordo com o roteiro de outra pessoa. Com a sensação de que estamos vivendo a vida de outra pessoa.
E isso acontece porque não conhecemos outro caminho. Afinal, nossos pais já tomaram todas as decisões por nós. E para evitar decepcioná-los e justificar suas esperanças, fizemos tudo como eles queriam: escolhemos um parceiro adequado, conseguimos uma profissão prestigiosa e arrumamos o emprego dos nossos sonhos — só que não eram os nossos.
E agora, anos depois, aceitando tudo como certo, temos medo de ouvir a nós mesmos e admitir o que realmente queremos. Não sabemos nem se temos permissão para querer algo ou fazer algo sem nos preocupar com a desaprovação dos pais, se podemos largar tudo e começar a viver do jeito que queremos.
Mas o pior é que começamos a criar nossos filhos da mesma maneira, tentando compensar tudo o que perdemos. Torna-se um ciclo vicioso em que uma geração de adultos infelizes substitui a outra.
Esse ciclo vicioso pode ser quebrado corrigindo os principais erros na educação dos filhos.
3 Principais Erros na Educação dos Filhos Que Fazem Nossas Crianças Crescerem Infelizes
Não vamos abordar todos os erros na educação dos filhos, pois é impossível em um único artigo. Em vez disso, falaremos sobre aqueles que matam a personalidade da criança, privando-a do direito à felicidade na vida adulta.
1. Proibições e Restrições Constantes
A maioria das proibições é útil. Elas servem para proteger a vida de nosso filho e introduzi-lo às regras de convivência na sociedade. Mas há coisas que não devem ser proibidas, caso contrário, isso afetará negativamente o desenvolvimento da personalidade.
Por exemplo, uma criança que não pode escolher o que vestir para ir à creche ou à escola pode crescer insegura e indecisa. Ou uma criança superprotegida, que não pode subir em escorregadores altos, pular, correr ou brincar no frio, pode crescer excessivamente cautelosa, inibida e infantil.
O que essa pessoa levará da infância para a vida adulta? Que os outros devem tomar todas as decisões por ela, que ela deve ser guiada pela vida, que o mundo ao seu redor é perigoso e que é mais seguro debaixo da asa dos pais.
Às vezes, esses adultos ou se refugiam em um mundo virtual, tornando-se gamers, ou preenchem o vazio com álcool e drogas.
2. Comparação Constante com os Outros
Muitos pais gostam de contar histórias para seus filhos como: "Quando eu tinha a sua idade, conseguia fazer tudo sozinho, ao contrário de você", ou comparar seu filho com outras crianças, ou, pior ainda, envergonhá-lo na frente dos outros por não atender às expectativas.
"Quando eu tinha a sua idade, conseguia escrever, contar e fazer ponto cruz, mas você nem consegue amarrar os próprios cadarços!"
Ao fazer isso, estamos dizendo indiretamente à criança que ela não é como os outros, que ela é ruim. Mas é importante entender que desvalorizar as habilidades do seu filho não o tornará melhor. Muitas vezes, a comparação se torna uma mensagem para a vida toda de que a criança deve sempre ser melhor que os outros. E a vida se transforma em uma competição e corrida sem fim, onde não há espaço para a felicidade.
Essa criança pode crescer ou como um perfeccionista que se esforça demais ou como um completo fracassado, a quem disseram desde a infância que não é capaz de nada.
3. Impor Sua Opinião e Negar o Direito de Escolher
Você provavelmente já ouviu histórias em que os pais tentam realizar seus sonhos não realizados por meio de seus filhos. Por exemplo, quando um pai sonhava em se tornar jogador de futebol, então mandou o filho jogar futebol, mesmo que o menino amasse desenhar.
O que provavelmente acontecerá com essa criança no futuro?
Ele não terá sucesso nos esportes e desistirá de desenhar. Em vez disso, se tornará um trabalhador comum em uma fábrica, odiando seu trabalho e esperando ansiosamente pela sexta-feira para beber cerveja e desabar na frente da TV.
Ao negar a uma criança o direito de escolher desde a infância, impedimos que ela entenda o que realmente gosta. Esse estilo de educação atrapalha o desenvolvimento. À medida que a criança cresce, ela se interessa menos pelo mundo ao seu redor e, eventualmente, para de querer qualquer coisa. Porque nunca lhe ensinaram a querer.
Nossa tarefa é criar um adulto confiante, responsável e feliz a partir de uma criança. E para isso, acredite, não é necessário muito esforço.
Como Não se Tornar um Inimigo do Seu Filho e Criá-lo para Ser uma Pessoa Feliz
Tente reconhecer os erros de seus pais. Ame seu filho pelo que ele é, não como uma extensão de você mesmo. Deixe seu filho ou filha ter sucesso no campo que escolherem, não naquele em que você já falhou.
Ouça seu filho e respeite a opinião dele. Afinal, ele não é você nem uma continuação sua, mas uma pessoa completamente diferente, com seus próprios desejos e aversões, seus próprios interesses e objetivos, suas próprias visões sobre o mundo e a sociedade.
Dê a ele o direito de escolher, e ele crescerá confiante, decidido, flexível e criativo. E, o mais importante, feliz e grato a você, ao destino e a todo o universo pela vida dele.
O que você pode fazer agora? Deixe seu filho em paz e simplesmente observe o que o atrai e o que ele realmente quer. Apenas deixe ele ser ele mesmo.
Deixe um Comentário