Do que estamos a falar? Uma criança caprichosa grita, chora e bate os pés, não porque quer ser irritante, mas porque não consegue encontrar outra forma de expressar o que se passa dentro dela. Às vezes, as birras são uma forma de manipulação, uma tentativa de conseguir o que querem. Mas pode haver razões mais convincentes.
Por que é que ela faz isso? As birras podem ser causadas por cansaço, fome, sobrecarga sensorial, falta de atenção, dificuldades de comunicação ou até mesmo uma simples doença. Os pais precisam olhar para a criança com outros olhos e ajudá-la em situações difíceis.
Razões para as birras de uma criança
As birras são uma parte natural do desenvolvimento infantil. Através delas, as crianças aprendem a expressar as suas emoções, a afirmar os seus desejos e a responder a situações novas ou desconhecidas. Isto pode ser difícil para os pais, mas é importante compreender que há uma razão específica por trás de cada birra.
As birras nas crianças podem ser de natureza psicológica e física.
- As razões psicológicas para as birras constantes de uma criança estão frequentemente relacionadas com o facto de a criança não compreender por que razão algo é proibido. À medida que crescem, o número de «nãos» aumenta e o seu desejo de explorar o mundo intensifica-se. Isto leva a um conflito: a criança quer experimentar e aprender, enquanto os adultos tentam protegê-la de possíveis perigos.
- As razões físicas são reações ao desconforto: dor, fome, congestão, roupas desconfortáveis ou, por exemplo, uma fralda molhada. Todas essas coisas podem deixar uma criança irritada.
Os pais que passam muito tempo com a criança geralmente acham fácil entender o que causou a birra. Eles conhecem os hábitos da criança e podem rapidamente perceber mudanças no comportamento.
Quando uma criança está sobreexcitada, o seu humor muda facilmente e ela pode perder o controlo de si mesma. Durante uma birra, as crianças muitas vezes começam a gritar alto, chorar, cair no chão e agitar os braços ou as pernas.
Razões pelas quais uma criança pode ficar muito mal-humorada:
- devido à fadiga ou a uma sobrecarga de impressões após um dia ativo;
- ambiente quente, abafado ou, inversamente, frio;
- doença, constipações, dor;
- falta de atenção e carinho dos pais;
- falta de limites claros e consistência na educação (se algo era permitido ontem, mas não hoje);
- dificuldades em comunicar com adultos e colegas, bem como incapacidade de expressar os seus desejos e sentimentos por palavras.
Mesmo uma simples recusa ou proibição pode provocar uma reação violenta numa criança emocional, especialmente se ela não compreender as razões ou sentir que não está a ser ouvida.
Dicas para pais de crianças temperamentais com menos de 3 anos
Vamos começar pelo mais simples. Às vezes, uma criança pequena só quer comer ou beber, e isso causa irritação. Se um bebé ficou nervoso e caprichoso, a maneira mais segura de lidar com isso é eliminar o desconforto.
Se uma criança com menos de 1 ano estiver satisfeita, seca e bem descansada, mas ainda assim estiver a agir mal, verifique se ela está com calor, se a fralda está muito apertada ou se a barriga está a doer. A termorregulação das crianças pequenas difere da dos adultos, e o que nos parece confortável pode ser excessivo para elas.
É útil ventilar o quarto, vestir o bebé com roupas mais leves ou levá-lo para passear. Se não houver melhora, é possível que a criança esteja com dor, mesmo sem febre ou tosse. Às vezes, o motivo pelo qual uma criança fica irritadiça aos um ano de idade é gases ou desconforto estomacal.
Se essas opções foram descartadas, mas o bebé continua a chorar e não consegue se acalmar, não demore em consultar o médico. Uma criança de um ano muito irritadiça pode ser um sinal de problemas de saúde ou mentais.
É completamente diferente quando uma criança fica irritadiça por volta dos 2 anos de idade. Este é um período de exploração ativa do mundo. Quando um bebé começa a gatinhar e a andar, ele quer tocar e explorar tudo. Os pais respondem impondo restrições, o que pode causar protestos.
Para reduzir o número de conflitos, é importante criar um ambiente seguro. Remova objetos perigosos, cubra tomadas elétricas e esconda fios e itens de vidro.
É ainda mais difícil fora de casa com uma criança de 2 anos muito caprichosa. Existem mais perigos lá fora, e proteger uma criança deles não é uma tarefa fácil. Aqui é importante encontrar um equilíbrio entre proibições e explicações. Se a sua criança pisar numa poça, não se apresse em trocar as roupas dela. Deixe-a andar molhada por um tempo: isso lhe dará uma compreensão natural de que seco é melhor do que molhado.
Uma razão comum para as birras das crianças após um ano de idade é o desmame da chupeta. Usar a chupeta por muito tempo pode afetar a mordida. Quanto mais cedo a remover, melhor. No entanto, o processo de desmame da chupeta é frequentemente acompanhado de birras.
Para facilitar, pode usar uma abordagem de «motivação adulta»: explique que chupetas são para bebés e que ele já é um menino grande. Às vezes, um «ritual» de despedida ajuda — troque-a por um presente: uma trotineta, uma bola ou algo que ele esteja ansioso para ter.
Se isso não funcionar, pode tornar a chupeta desconfortável. Por exemplo, fure-a ou esvazie-a. Assim, ela permanecerá com a criança, mas será desconfortável de usar, e a criança gradualmente desistirá da chupeta por conta própria.
Então, aqui estão as 7 principais maneiras de lidar com uma criança caprichosa de 1 a 2 anos:
- Elimine o desconforto físico — esta é uma causa comum de insatisfação: fome, sede, calor, roupas desconfortáveis.
- Limite o acesso a objetos perigosos — é mais fácil removê-los do que dizer «não» todas as vezes.
- Explorem o mundo juntos — mostre e explique, mas num ambiente seguro.
- Torne o proibido desconfortável — deixe a criança entender por si mesma que «desconfortável» significa «desnecessário».
- Apele para o seu senso de amadurecimento — as crianças adoram ser tratadas como adultos.
- Ofereça uma alternativa — «isso não, mas outra coisa está bem».
- Elimine a chantagem — se a criança conseguir o que quer chorando, as birras continuarão.
Às vezes, uma criança pode ser caprichosa e chorona, apesar de todas as medidas «úteis» tomadas pelos adultos. Provavelmente, o seu filho está a testar os seus limites. Ele está a explorar a flexibilidade dos limites dos pais e se a mãe e o pai serão consistentes.
É muito importante manter a sua palavra: se disse que não compraria um brinquedo, não o compre. Por outro lado, se prometeu um gelado depois de um passeio, cumpra o acordo.
Há outra maneira de lidar com uma criança caprichosa, mas não é adequada para todos. É «imitar»: agir caprichosamente junto com a criança, exagerando o seu comportamento. Essa técnica requer senso de humor, talento artístico e uma atitude descontraída em relação às birras das crianças.
É importante fazer isso sem agressividade. Em alguns casos, esse comportamento por parte dos adultos ajuda a desviar a atenção da criança e acalmar a situação.
Dicas para pais de crianças caprichosas com mais de 3 anos
Quando uma criança começa a sair para o mundo — para lojas, para visitar amigos, para passear —, o número de motivos potenciais para birras aumenta drasticamente. É por isso que muitos pais percebem que a sua criança se tornou muito caprichosa aos 3 anos de idade.
Brinquedos nas prateleiras, vitrines com doces, um gato que eles precisam tocar... Tudo isso exige que as crianças sejam capazes de compreender proibições e controlar seus desejos. E dos adultos — paciência e uma posição clara.
Até aos 3 anos, as crianças ainda não são capazes de falar de forma coerente e não compreendem conceitos abstratos como «não perturbe alguém que está a dormir» ou «não temos dinheiro para comprar este brinquedo». É por isso que psicólogos e pediatras aconselham que, quanto menos situações desse tipo houver antes de uma certa idade, mais calmos todos ficarão.
E se tiver de lidar com uma birra num local lotado, é melhor afastar-se calmamente. Sem público, uma criança caprichosa de 4 ou 5 anos acalmar-se-á mais rapidamente.
Quando a criança recuperar o juízo, é importante não repreendê-la, mas explicar: «Não é assim que se comporta, e não vai conseguir nada dessa maneira».
Outra fonte de protestos são as tarefas diárias. Guardar os brinquedos, vestir-se, arrumar a cama — tudo isso pode causar birras. O principal é entender o motivo: a criança é incapaz de lidar com a situação ou está simplesmente resistindo, demonstrando independência?
Se ela não consegue lidar com a situação, ajude-a. Mas não faça tudo por ela: deixe-a tentar e apoie-a. As birras como forma de «luta pela independência» também são normais, porque nessa idade as crianças passam por uma fase de separação, daí as histerias.
É importante não transformar isso num campo de batalha, mas buscar compromissos. Você está simplesmente passando pela crise dos 3 anos, e esse comportamento é bastante natural. A propósito, isso vale não só para crianças de 3 anos, mas também se a criança for caprichosa aos 4 anos. Todos os processos são individuais e, às vezes, levam mais tempo.
Na idade escolar, as birras dramáticas em público geralmente desaparecem. Mas então começa outra história: «Não quero ir à escola», «Não vou fazer o meu trabalho de casa», «Não vou ao treino». Aqui, é importante não pressioná-los, mas conversar. A recusa deles pode ser devido a cansaço, medo ou relações difíceis com colegas de turma ou professores.
Exemplo: se uma criança diz que está com dor de barriga, primeiro descarte a possibilidade de doença. Só então você pode suspeitar de simulação. Mas se ela está a evitar a escola por causa de conflitos, bullying ou medo do fracasso, isso é motivo para intervir.
O principal é não repreendê-los por sentimentos «errados». Mesmo que a criança seja a culpada pelo conflito, é importante analisar a situação juntos, procurar uma solução e mostrar que está do lado dela. Lembre-se de que a confiança é a sua principal ferramenta.
As crianças também podem ser caprichosas durante a adolescência. O que fazer nesse caso? Lembre-se de que essa é uma história sobre conquistar independência. E se construiu confiança durante a infância, será mais fácil para si agora. Assim, a criança não esconderá os problemas, mas pedirá ajuda.
Explique a sua posição numa linguagem que um adolescente possa entender. Não «porque eu disse», mas «porque isso vai ajudá-lo no futuro». Não «tem que estudar», mas «é melhor estudar agora do que se arrepender mais tarde por não ter tirado notas suficientes». Persuada com argumentos, não com medo ou vergonha.
Pode ser necessário ter paciência e explicar ao seu filho mais de uma vez que, por exemplo, estudar e tirar boas notas é importante antes de tudo para ele, não para si ou para os professores — você já tem os seus diplomas.
Ser inculto e analfabeto não é nada «fixe», mas sim o contrário: a maioria das pessoas bem-sucedidas, respeitadas e ouvidas, há muito que obtiveram dois diplomas de ensino superior.
E se a sua filha planeia, por exemplo, casar-se bem, será muito mais fácil conhecer jovens ricos numa boa universidade. O principal é transmitir o seu ponto de vista com calma, razoavelmente e de uma forma que o seu filho possa compreender ao seu nível de desenvolvimento e perceção.
Se continuar a pensar: «Que criança caprichosa», lembre-se ou imprima estas sete dicas:
- Ensine a sua filha a expressar os seus desejos com palavras, não com lágrimas e gritos. Dê o exemplo.
- Não ceda à manipulação: se ceder, reforçará o comportamento.
- Ajude, mas não faça tudo pelo seu filho (trabalhos de casa, lições).
- Use a brincadeira como forma de motivação e comunicação. As crianças aprendem melhor brincando.
- Converse constantemente com o seu filho e ouça o que ele tem a dizer.
- Explique, não ordene.
- Não o pressione: a autoridade adulta baseia-se na consistência, não no medo.
Prevenir birras nas crianças
A prevenção é uma das formas mais eficazes de lidar com as birras das crianças. Em vez de lutar contra as birras todas as vezes, vale a pena criar condições antecipadamente nas quais a criança simplesmente não tenha motivos para elas.
Fique atento às necessidades básicas: sono, alimentação, exercício
A falta de sono, a fome e o excesso de energia são causas comuns de birras. Certifique-se de que a sua criança dorme o suficiente, come na hora certa e tem uma alimentação variada e saudável. A propósito, uma criança temperamental geralmente dorme mal, o que, por sua vez, agrava as birras — um círculo vicioso que é importante quebrar.
A atividade física também desempenha um papel importante: caminhadas diárias, jogos ativos e atividades físicas simples ajudam a aliviar o excesso de tensão, melhorar o humor e promover um sono saudável. Quando o sono de uma criança temperamental se torna mais calmo e profundo, o seu comportamento geral também melhora significativamente.
Planeie o seu dia de acordo com o ritmo do seu filho
Planeie atividades importantes (viagens, reuniões, aulas) para os momentos em que o seu filho estiver acordado e alerta. Não o sobrecarregue com muitas atividades seguidas — é difícil para as crianças manterem a atenção e o autocontrolo por longos períodos sem pausas.
Dê-lhe atenção, não apenas controlo
Muitas birras são um sinal: «Preste atenção em mim». A comunicação regular, brincar juntos, ler ou simplesmente conversar de coração para coração ajudam o seu filho a sentir-se importante e amado. E então a necessidade de atrair atenção com lágrimas e teimosia desaparece gradualmente.
Ensine e aprenda a lidar com as dificuldades
À medida que o seu filho cresce, é importante não apenas cuidar dele, mas também desenvolver a sua capacidade de resolver problemas por conta própria. Ajude-o a falar sobre o que exatamente o incomoda e sugira encontrar uma solução juntos. Isso o ajudará a desenvolver a habilidade de procurar uma saída, em vez de apenas reagir emocionalmente.
Perguntas frequentes sobre uma criança caprichosa
Então, descobrimos por que uma criança pode ser caprichosa. Na maioria das vezes, o motivo são crises relacionadas à idade (1 ano, 3 anos, 5 anos, adolescência). Nessa fase, estabilidade, rotina e consistência são especialmente importantes. Essas condições são frequentemente mantidas no jardim de infância, mas nem sempre são observadas em casa.
Deve insistir sempre na sua maneira de agir?
É quase impossível argumentar com crianças menores de três anos: nessa idade, elas vivem de acordo com as suas emoções e desejos "aqui e agora". Portanto, se tiver a certeza de que a sua proibição é justificada, não deve cancelá-la apenas porque a criança ficou muito caprichosa ou começou a fazer birras. Consistência e firmeza são diretrizes importantes para uma criança pequena. É especialmente importante manter a sua posição se a sua criança ficou muito caprichosa e está a testar os limites do que é aceitável.
Cada pequena birra transforma-se numa crise histérica?
Não há uma resposta universal. Na maioria das vezes, não. Nem todo choro termina numa birra de verdade. Às vezes, uma birra é apenas uma forma de comunicação, e a criança não está realmente chateada. À medida que crescem, as crianças começam a entender em quais situações é aceitável reclamar e em quais o seu comportamento não será respondido.
É possível prever o temperamento e o caráter de uma criança numa fase inicial?
O temperamento é uma característica inata que não pode ser alterada. Mas, com o tempo, as crianças aprendem a controlar o seu comportamento, e o seu caráter é moldado pelo seu temperamento e ambiente: educação, modelos de interação familiar e relacionamentos com adultos. É possível fazer uma previsão, mas ela será sempre aproximada e de curto prazo.
Se uma criança estiver a se comportar mal, é importante descartar problemas de saúde, estabelecer limites claros, estabelecer uma rotina diária clara e explicar com confiança o que é "permitido" e "não permitido". É nessas condições que é mais fácil para uma criança lidar com períodos difíceis e superar explosões emocionais.
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