Pensamento crítico na criança: recomendações para a sua formação e desenvolvimento

Lina Park Lina Park
Pensamento crítico na criança: recomendações para a sua formação e desenvolvimento

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Por que é importante? O pensamento crítico nas crianças funciona de forma diferente do que nos adultos. As crianças são mais curiosas, adaptáveis e criativas, e tomam as decisões certas mais rapidamente do que os outros. Tudo isto as ajuda a destacar-se entre os seus pares e a ter mais sucesso na vida.

Como se desenvolve? Os pais devem seguir certas recomendações dos psicólogos no que diz respeito à educação dos filhos. Também é útil jogar determinados tipos de jogos e utilizar exercícios concebidos especificamente para desenvolver o pensamento crítico.

A essência do pensamento crítico

O filósofo americano John Dewey definiu o pensamento crítico nas crianças como uma análise ativa, persistente e profunda de qualquer afirmação ou conhecimento, tendo em conta a sua lógica e as consequências que daí decorrem. Esta definição requer alguma reflexão. Vamos tentar explicar este conceito em termos simples.

Imagine um aluno que está a memorizar diligentemente um poema. A memorização é certamente uma competência importante; no entanto, apesar do envolvimento de processos cognitivos, isto ainda não é pensar. Um computador é capaz de «memorizar» e, mediante comando, produzir vastas quantidades de dados, mas ainda não consegue pensar.

Compreender também requer esforço mental, mas isso também não é pensamento crítico. Uma criança a aprender os fundamentos da álgebra pensa intensamente, mas a capacidade de compreender conceitos complexos, independentemente da sua natureza (humanística ou técnica), não faz dela um pensador crítico.

O lado criativo da mente também não está relacionado com o pensamento crítico. Atletas, artistas e músicos realizam um grande trabalho mental, mas geralmente não estão cientes dos seus mecanismos. Quando Montserrat Caballé canta uma ária, ela não analisa como tensionar as suas cordas vocais, nem compara a sua performance com a de Shakira.

O pensamento crítico começa com a capacidade de fazer perguntas e definir claramente um problema. As crianças são naturalmente curiosas. O que leva um aluno do segundo ano a desmontar um carrinho de brinquedo, ou uma criança de dois anos a colocar areia na boca? A curiosidade.

As crianças fazem às suas mães e pais um número infinito de perguntas, o que significa que já têm uma noção do pensamento crítico, uma vez que se interessam por como o mundo funciona.

Mas se uma criança dominar a arte de definir um problema, formular as perguntas certas e encontrar soluções, então metade da batalha já está ganha. A base do pensamento crítico é o raciocínio. Um aluno identifica um problema, faz perguntas relevantes, procura respostas e usa isso para sustentar os seus argumentos.

Consequentemente, o pensamento crítico nas crianças é a capacidade de analisar problemas e fenómenos para tirar conclusões bem fundamentadas, bem como de aplicar essas conclusões a situações e tarefas específicas.

A importância do pensamento crítico nas crianças

Antes de nos aprofundarmos nos métodos para desenvolver o pensamento crítico nas crianças, vamos identificar a principal razão pela qual esta competência merece atenção.

Aplicável em Muitas Áreas

Esta competência é fundamental para o processo de pensamento como um todo. É universal e aplicável em vários campos, mantendo-se em demanda independentemente da idade. A capacidade de analisar e resolver problemas tem um impacto positivo em todos os aspetos da vida de uma pessoa.

Facilita a tomada de decisões

Independentemente da situação — quer uma criança esteja a escolher um jogo ou a decidir que desenho animado ver — o pensamento crítico orienta o seu processo de raciocínio. Ensina-a a organizar os seus pensamentos de forma mais lógica e sistemática, o que, em última análise, conduz a decisões acertadas.

Gradualmente, isto começa a moldar uma mente independente. Além disso, o pensamento crítico permite que uma criança baseie as suas decisões em factos.

Estimula a criatividade

O pensamento crítico abre a porta para que a criança resolva problemas de forma eficaz e incentiva-a a abordar isso de forma criativa.

A criança sai conscientemente da caixa para encontrar um método não convencional de resolver um problema.

Estimula a curiosidade

Uma criança com pensamento crítico desenvolvido não aceitará informações cegamente, mas preferirá verificá-las e aprofundar a sua compreensão dos conceitos e situações com que se depara.

Ao avaliar a informação recebida, faz a si própria perguntas como «Onde é que aprendi isto?», «E se esta informação for imprecisa ou incorreta?», e assim por diante. Desta forma, a sua curiosidade é despertada, acompanhando-a ao longo de todo o seu processo de aprendizagem ao longo da vida. A criança também desenvolve uma atenção aos detalhes, o que lhe permite compreender a essência das coisas mais profundamente.

Desenvolve a capacidade de adaptação e de resolução de problemas

As pessoas que pensam criticamente aplicam uma abordagem sistemática, o que lhes permite lidar eficazmente com os desafios. Esta forma de pensar facilita a análise das circunstâncias, a tomada de decisões bem fundamentadas, a realização de avaliações objetivas e a adoção de medidas destinadas a resolver problemas.

Competências essenciais para o desenvolvimento do pensamento crítico

Então, vamos enumerar as competências necessárias para desenvolver o pensamento crítico nas crianças:

  1. Recolha de informação. Hoje em dia, isto certamente não é difícil, mas a competência-chave é a capacidade de se manter focado no tema original e esforçar-se por utilizar dados de várias fontes.
  2. Análise de factos. A informação recolhida requer avaliação e análise objetivas.
  3. Formulação de conclusões. As conclusões baseiam-se numa afirmação apoiada por factos e argumentos convincentes.
  4. Formar a própria opinião. Todas as competências acima referidas são parte integrante do pensamento crítico, mas é o próprio pensamento crítico que impulsiona o seu desenvolvimento.

É possível incutir estas competências de raciocínio em crianças de qualquer idade. É claro que os argumentos dos alunos mais novos podem nem sempre ser impecáveis e as suas estruturas lógicas podem não ser suficientemente claras, mas o que importa aqui não é a qualidade das conclusões, mas a formação correta do «caminho» do raciocínio.

3 jogos para desenvolver o pensamento crítico nas crianças

Existem muitos jogos que estimulam o pensamento crítico nas crianças: desde os conhecidos «enigmas» até versões de jogos de tabuleiro. Propomos atividades verbais que são ideais para jogar na estrada, numa fila ou num café enquanto se espera por uma encomenda.

  • «Longe, mas perto.» É preciso nomear dois objetos ou fenómenos que, à primeira vista, pareçam completamente alheios (por exemplo, um bule e um corvo). Juntamente com o seu filho, tente descobrir o que os liga. Este jogo desenvolve o pensamento criativo e ajuda as crianças a aprender a estabelecer ligações lógicas.
  • «Sherlock Holmes.» O detetive costumava jogar um jogo semelhante com o seu irmão Mycroft. Peça ao seu filho para escolher um objeto ou uma pessoa e fazer o máximo de suposições possível com base nas suas características (excluindo tudo o que viole a ética).
  • “E se?” O título capta na perfeição a essência deste jogo maravilhoso. E se a chuva desaparecesse? E se os castores se tornassem mais inteligentes do que os humanos? E se toda a gente ganhasse uma cauda? Esta atividade ajuda a desenvolver o pensamento global e a capacidade de sair da perspetiva habitual.

6 exercícios para desenvolver o pensamento crítico nas crianças

Existem também muitos exercícios diferentes para desenvolver o pensamento crítico nas crianças. Vejamos algumas opções.

“Olha duas vezes”

Quando usar: ao analisar imagens, objetos, vídeos ou enquanto se ouve música (neste caso, o exercício pode chamar-se “Ouve duas vezes”).

Peça à criança para examinar cuidadosamente um objeto ou imagem durante 30 segundos. Peça-lhe para nomear 10 características ou detalhes do que viu. Depois, peça-lhe para voltar ao objeto e olhar para ele novamente, tentando encontrar mais 10 detalhes. Além disso, pode discutir por que razão alguns elementos passaram despercebidos durante a observação inicial.

«Começo, Meio e Fim»

Quando utilizar: após ver uma pintura na aula, num museu ou em casa. Especialmente eficaz durante a fase inicial de interação com uma obra de arte — ajuda a criança a “mergulhar” na pintura e estimula o processo de reflexão.

Escolha qualquer pintura e faça perguntas à criança relacionadas com ela.

INÍCIO: Se esta pintura for o início de uma história, o que acontece a seguir?

MEIO: Se a pintura for o meio da história, o que aconteceu antes e o que acontece a seguir?

FIM: Suponha que esta pintura seja o fim da história — o que poderá ter acontecido antes?

«Porque achas isso?»

Quando usar isto: ao discutir quaisquer eventos, histórias, desenhos animados ou situações da vida real.

Fale com o seu filho sobre uma situação perguntando: “O que achas que está a acontecer aqui?” Depois de ouvir a resposta dele, continue sempre com: “Por que achas isso? O que é que viste exatamente que te levou a essa conclusão?”

“Opinião mais razão mais pergunta”

Quando usar isto: ao discutir livros que leu, desenhos animados que viu, materiais educativos ou situações do dia a dia.

Peça ao seu filho para expressar o seu ponto de vista sobre algo: «O que achas disto?» Depois pergunte: «Qual é a base da tua opinião? Que factos a sustentam?» Por fim, convide o seu filho a fazer uma pergunta sobre qualquer coisa que ainda não esteja clara: «O que mais gostarias de saber sobre isto?»

“O ponto principal. Os detalhes. O significado oculto”

Quando usar: enquanto vêem imagens, lêem livros, assistem a desenhos animados e analisam acontecimentos da vida real.

Depois de rever a história, peça à criança para responder a três perguntas: «Qual é o ponto principal desta história?», «Quem são as personagens principais e o que lhes acontece?», «Que elementos ou personagens secundários reparou?», «Há algo oculto que não seja óbvio à primeira vista ou que exija uma reflexão mais aprofundada?»

Sugira que a criança visualize a história como uma árvore, em que o tronco simboliza a ideia central ou o acontecimento principal, e os ramos representam detalhes e personagens secundários.

Os elementos ocultos podem ser representados como as raízes da árvore, que nem sempre são visíveis, mas são essenciais para compreender toda a história.

Bússola de Opinião

Quando usar: durante discussões sobre temas complexos, questões éticas ou novas ideias.

  • Leste — o que achas atraente nesta ideia? O que te desperta emoções positivas ou te parece interessante?
  • Oeste — O que o deixa duvidoso ou cauteloso? Que pontos lhe parecem um pouco incorretos ou requerem esclarecimento?
  • Norte — que informações precisa de rever para compreender totalmente este tema? O que precisa de esclarecer especificamente para formar uma visão mais objetiva?
  • Sul — Que conclusões pode tirar com base na informação que recebeu? Que opinião formou e que medidas sugere tomar?

Pode desenhar uma bússola numa folha de papel e registar os pensamentos da criança nos setores correspondentes.

9 Recomendações gerais para desenvolver o pensamento crítico nas crianças

O pensamento crítico em crianças em idade pré-escolar, mesmo que se desenvolva, fá-lo muito lentamente e requer apoio. No entanto, as crianças mais velhas também podem beneficiar desse apoio. Vejamos formas de facilitar este processo.

  • Incentive a curiosidade.

Incentive o seu filho a fazer perguntas sobre o que vê e ouve à sua volta. Apoie a curiosidade e o desejo de aprender coisas novas — isto ajudará a desenvolver o pensamento analítico e a perceção do mundo.

  • Utilize uma variedade de recursos.

Mostre ao seu filho que a informação está disponível em diversas fontes: sejam livros, a Internet, as opiniões de várias autoridades ou especialistas, etc.

  • Ensine-o a avaliar corretamente a informação que recebe.

Trabalhe com crianças e adolescentes para verificar a exatidão das informações que encontram em vários locais. Discuta métodos para verificar factos e dados.

  • Desenvolva a capacidade de analisar informações.

Seria benéfico para si e para o seu filho analisarem juntos qualquer informação proveniente de várias fontes. Ensine-os a comparar diferentes pontos de vista e a tomar decisões com base não apenas em factos e argumentos.

  • Desenvolva a capacidade de tomar decisões.

Ensine o seu filho a resolver problemas por conta própria, deixando claro que ele conta com um apoio fiável que estará sempre ao seu lado.

Dê-lhe várias tarefas, encorajando-o a encontrar formas de as resolver.

  • Discuta vários temas com os seus filhos.

Promova discussões sobre vários temas, dando-lhes a oportunidade de expressarem os seus pensamentos em detalhe. Discutir pontos de vista diferentes e opostos ajuda a fomentar o pensamento crítico nas crianças.

  • Ajude o seu filho a desenvolver uma perspetiva independente e imparcial sobre as coisas.

Incentive o seu filho a expressar o seu próprio ponto de vista. Tente não impor os seus próprios julgamentos. Ensine-o a confiar nas suas próprias conclusões e na sua voz interior.

  • Analise os erros que foram cometidos.

É essencial ser capaz de discutir erros e falhas. Juntamente com o seu filho, procure identificar ligações lógicas, analisar causas e efeitos, tirar as conclusões certas e fazer os ajustes necessários.

  • Use exemplos da vida real para fomentar o pensamento crítico nas crianças.

Ensine o seu filho a avaliar criticamente as situações do dia a dia. Participe em discussões, incentive o pensamento lógico e a análise de possíveis soluções, e considere as consequências prováveis.

Perguntas frequentes sobre o pensamento crítico nas crianças

O pensamento crítico é uma competência fundamental que ajuda as crianças e os adolescentes a analisar a informação de forma mais profunda e a «filtrá-la». Permite-lhes analisar, justificar decisões e estabelecer ligações lógicas.

Em que idade é que as crianças desenvolvem o pensamento crítico?

Por volta dos cinco anos, as crianças começam a desenvolver a capacidade para este tipo de raciocínio. Nesta fase, é importante orientá-las para que tirem as suas próprias conclusões. À medida que crescem, por volta dos 7–8 anos, quando começam a escola e se deparam com tarefas mais complexas, começa a desenvolver-se um pensamento crítico mais consciente.

Na adolescência, entre os 12 e os 15 anos, uma criança já consegue avaliar de forma livre e sensata a informação recebida e tirar conclusões com base nos factos.

O pensamento crítico requer realmente um desenvolvimento contínuo?

Sim, seria incorreto afirmar que a mente humana está total e completamente desenvolvida. O seu aperfeiçoamento requer um esforço constante ao longo de toda a vida.

Quais são as consequências potenciais de não desenvolver o pensamento crítico nas crianças?

Uma criança que aceita cegamente qualquer informação enfrentará dificuldades no futuro. Será difícil para ela tomar decisões independentes; muito provavelmente, sentirá insegurança e medo da responsabilidade.

O desenvolvimento desta competência influencia positivamente o pensamento da criança, estimula a sua capacidade de considerar diferentes pontos de vista e incentiva-a a examinar uma situação sob vários ângulos antes de tomar uma decisão. Em essência, será simplesmente impossível passar sem esta competência no futuro.

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Zara Mitchell Zara Mitchell

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